sábado, 12 de janeiro de 2013

A paz das bibliotecas







Queria tanto a paz das bibliotecas!

Aquela paz de poltronas confortáveis

que parecem acomodar satisfatoriamente qualquer inquietude da alma,

aquela paz de salões vazios, inalteráveis,

fincados à margem da correria impiedosa das coisas

e aparentemente imunes a qualquer solavanco na imensidão terrestre.

Queria tanto a paz envernizada, sólida, limpa, pesada

(quase possível de ser transportada).

Queria tanto, meu Deus, tanto!

A paz das bibliotecas!





Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido



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sábado, 5 de janeiro de 2013

Máquina do tempo






Amor, quando inventarem a máquina do tempo,
fujamos!
Fujamos para o ponto em que o tempo foi inventado
e eliminemos essa parafernália da Humanidade.
E, depois de mortos os relógios, beijemo-nos...
Se algum ponteiro reagir, não importa.
Damos corda no espaço-tempo do nosso beijo
e despertamos o final de novo...



Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido 


© Todos os direitos reservados - registrado no EDA/Fundação Biblioteca Nacional 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz 2013!





Que Deus abençoe a todos e que o ano de 2013 seja repleto de paz, amor, compaixão, entendimento, tolerância. Que os homens possam encontrar a verdadeira felicidade dentro de si mesmos e que possam amar cada vez mais uns aos outros. Que haja fraternidade, luz em nossos corações. Amém.

Feliz Ano Novo, meus amigos!

Elaine Regina


sábado, 22 de dezembro de 2012

Eram a pele e o avesso







Eram a pele e o avesso.
Somente eu divisava aquele teto.


Pintei o lado calado.
Na pele, fiz um mapa,
um tratado.
Listei as direções seguras.


Amarrei um olhar atento
a cada porta vergada;
às janelas, mandei que se apartassem
de qualquer sussurro estranho.


Mas depois, meu Deus, eu vi um homem
desatarraxando as direções
e pintando tudo de infinito.


Nem pude reagir.
Virei tela indefesa
nas mãos do artífice do Verbo.


Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido


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sábado, 15 de dezembro de 2012

Gravidez








Quando soube que estava grávida, corri do mundo.
Queria que a gestação fosse tranquila
– eu precisava proteger aquele feto, aquele novo ser, o mais que eu pudesse.
A minha gestação foi mais solitária e mais difícil do que eu imaginava...


Senti as dores muito cedo e tive outras complicações.
Em vários momentos, achei que não daria à luz.
Mas eu sabia que precisava ser forte...


Nem sei quanto tempo durou o parto.
Mas a criança veio.
Era menina.


Nasci


Poema: Elaine Regina
Edição de imagens: Elaine Regina (todas as imagens utilizadas são de autores desconhecidos)




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sábado, 8 de dezembro de 2012

O trabalho







O trabalho nunca nos deixa.
Os frutos estão distantes.
O suor é chuva abundante:
nunca cessa.
Afoga o rosto do homem,
porém,
respinga pouco na terra e na semente.


O suor corre,
tem a pressa das pernas atrasadas.
Os frutos não têm pernas,
arrastam-se.
São preguiçosos:
quando estão de olhos abertos, tenhamos certeza
– tenhamos mesmo certeza –
de que eles apenas abriram os olhos.
Portanto, não vá pensando em frutos maduros...


Que o suor corra então sempre na frente,
porque os frutos, no tempo certo, virão atrás.


Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido



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sábado, 1 de dezembro de 2012

Tudo passa!







Tudo passa! É, tudo passa.
Tudo.
Tudo.
Tudo.
Tudo passa.
Esse é mais um motivo para eu andar sempre num ritmo conveniente,
pois sabe-se lá... vai saber...
posso, um dia, por um passante ainda ser
atropelada.


Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido


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