sábado, 26 de janeiro de 2013

Cegueira








Eu vivi tanto para dentro, mas tanto
que...
as pessoas olham para mim, olham à minha volta,
olham as minhas mãos, olham as minhas roupas, olham os meus pertences e
não veem muita coisa.
Grande tolice...
Ah, se elas morassem dentro de mim!
 

Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido




© Todos os direitos reservados - registrado no EDA/Fundação Biblioteca Nacional  

sábado, 19 de janeiro de 2013

Transmutação







A música se espraia.
Penso, queimo, fico...
Imenso se torna o teu retrato.


Ando.


Atravesso a estreiteza do sonho.
Desmancho as tuas linhas com os meus dedos.
Descubro o que acende a tua pele.

 
Eu era lua.
Mas desci aos teus lençóis,

serva santa e louca da tua entrega.


Não me arrependo dos meus passos:
deixei de viver e morrer como lua,
e passei a viver
de morrer nos teus braços.



Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido



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sábado, 12 de janeiro de 2013

A paz das bibliotecas







Queria tanto a paz das bibliotecas!

Aquela paz de poltronas confortáveis

que parecem acomodar satisfatoriamente qualquer inquietude da alma,

aquela paz de salões vazios, inalteráveis,

fincados à margem da correria impiedosa das coisas

e aparentemente imunes a qualquer solavanco na imensidão terrestre.

Queria tanto a paz envernizada, sólida, limpa, pesada

(quase possível de ser transportada).

Queria tanto, meu Deus, tanto!

A paz das bibliotecas!





Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido



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sábado, 5 de janeiro de 2013

Máquina do tempo






Amor, quando inventarem a máquina do tempo,
fujamos!
Fujamos para o ponto em que o tempo foi inventado
e eliminemos essa parafernália da Humanidade.
E, depois de mortos os relógios, beijemo-nos...
Se algum ponteiro reagir, não importa.
Damos corda no espaço-tempo do nosso beijo
e despertamos o final de novo...



Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido 


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sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz 2013!





Que Deus abençoe a todos e que o ano de 2013 seja repleto de paz, amor, compaixão, entendimento, tolerância. Que os homens possam encontrar a verdadeira felicidade dentro de si mesmos e que possam amar cada vez mais uns aos outros. Que haja fraternidade, luz em nossos corações. Amém.

Feliz Ano Novo, meus amigos!

Elaine Regina


sábado, 22 de dezembro de 2012

Eram a pele e o avesso







Eram a pele e o avesso.
Somente eu divisava aquele teto.


Pintei o lado calado.
Na pele, fiz um mapa,
um tratado.
Listei as direções seguras.


Amarrei um olhar atento
a cada porta vergada;
às janelas, mandei que se apartassem
de qualquer sussurro estranho.


Mas depois, meu Deus, eu vi um homem
desatarraxando as direções
e pintando tudo de infinito.


Nem pude reagir.
Virei tela indefesa
nas mãos do artífice do Verbo.


Poema: Elaine Regina
Imagem: autor desconhecido


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sábado, 15 de dezembro de 2012

Gravidez








Quando soube que estava grávida, corri do mundo.
Queria que a gestação fosse tranquila
– eu precisava proteger aquele feto, aquele novo ser, o mais que eu pudesse.
A minha gestação foi mais solitária e mais difícil do que eu imaginava...


Senti as dores muito cedo e tive outras complicações.
Em vários momentos, achei que não daria à luz.
Mas eu sabia que precisava ser forte...


Nem sei quanto tempo durou o parto.
Mas a criança veio.
Era menina.


Nasci


Poema: Elaine Regina
Edição de imagens: Elaine Regina (todas as imagens utilizadas são de autores desconhecidos)




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